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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Raridade boa

Esta semana estou feliz. Consegui que um projeto fosse analisado no urbanismo exatamente em sete dias. Coisa muito rara se você não é "da turma". E o que é melhor, é que eu não fiz quase nada pra isso acontecer, apenas expliquei porque eu precisava de urgência neste processo, ou seja, nada diferente do que eu já havia feito muitas outras vezes e já aconteceu de eu ter que esperar dois meses apenas para que o projeto fosse analisado.
O que aconteceu dessa vez foi que dei a sorte do projeto ter ido para mãos competentes e experientes, que levam o funcionalismo muito a sério e sabem trabalhar com imparcialidade e respeito a todos. Que alívio, ainda existem pessoas assim. Já conheci várias, é verdade, mas está cada vez mais difícil. O Decreto 31.165 de 25/09/09 foi criado para organizar essa questão dos prazos por causa da pressão que estava havendo por causa do programa Minha Casa Minha Vida. Comemoramos bastante mas como os mais céticos preconizaram, não pegou muito. O decreto determina que os processos sejam analisados em quinze dias e que as exigências sejam feitas de uma só vez mas eu ainda não tinha visto isso acontecer até esta semana. Já soube de um caso em que alegaram que para analisar o projeto seria necessário estar com o IPTU totalmente quitado! E sempre, depois que você cumpre as exigências iniciais, surgem mais algumas que não constavam da primeira análise. O que eu costumo fazer é manter uma lista das exigências que me são feitas nos processos, principalmente nos maiores, e sempre dar uma consultada quando estiver formando um novo processo pra tentar me antecipar a essas exigências e evitar ser pega de surpresa. Um exemplo bom disso, é quando você tem no seu projeto elementos que precisam ser aprovados pela Vigilância Sanitária ou na GEO-RIO. Não espere a SMU submeter o processo. Sempre que possível, protocole um pedido de análise e ganhe tempo juntando os documentos antes que a SMU exija. Uma exigência que já vi pegar muita gente de surpresa é com relação à F.M.P (Faixa Marginal de Proteção) em terreno sem rio mas com encosta ou morros. Acontece que os talvegues, segundo a Fundação Rio Águas, também precisam de faixas de proteção... Juro que ainda não consegui assimilar isso.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Que museu?

A proposta
O Museu hojeQuando eu estava na faculdade, sonhava em trabalhar no IPHAN. Talvez por influência de um grande professor de História da Arquitetura (Luiz Eduardo, saudades). Achava inspirador trabalhar com tantas obras primas da arquitetura. Continuo tendo um chamego por esta instituição apesar da desilusão que tive com eles. (É, o amor também traz algumas desilusões e nem por causa disso a gente deixa de amar).

Mas a algum tempo atrás, ao fazer um estudo para um projeto comercial no Cachambi, descobri que lá havia um museu. Muito espantada fui buscar informações sobre esse museu que ninguém conhecia, nem o cliente, vizinho do imóvel. Descobrirmos ser o Museu do Capão do Bispo. Assim como muitos outros bens existentes no subúrbio e tombados pelo IPHAN, em péssimo estado estado de conservação, aguardando recursos para o seu salvamento. Até aí, nenhuma novidade.

Mas o IPHAN julgou que o meu projeto esconderia o Museu. Bem, era um museu que ninguém, além do IPHAN, sabia que existia. Quase não tinha visitação, nenhuma publicidade. Mas concordei que o certo era não piorar esta situação então, projetei o prédio todo em vidro transparente e para "jogar o museu pra frente", propus revitalizar, as custas do cliente, toda a frente do terreno do museu, assim como a calçada e o acesso, além de reformar o telhado e recuperar a pintura do prédio. Encomendei uma maquete eletrônica pra mostrar como funcionariam juntos no entorno. Na minha talvez ingênua opinião, eles não precisariam nem pensar. Estava claro que o museu ressurgiria do nada e que o meu projeto não ofuscaria o museu. Fui encantada para a primeira apresentação, certa de que a minha proposta seria muito bem recebida. E foi. Mas depois de passar por uma reunião tipo comitê, foi imposta uma série de restrições que inviabilizou o projeto. Até hoje não sei o que me dá mais tristeza: se é não ter construído o prédio ou se é de pensar que a decisão do IPHAN foi a melhor para a proteção do museu.












quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Arca de Noé


Recebi essa piadininha e tive que postar...

"Um dia, o Senhor chamou Noé que morava no Brasil e ordenou-lhe:

- Dentro de 6 meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira. No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu. Noé chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens:

- Onde está a arca, Noé?

- Perdoe-me, Senhor suplicou o homem. Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas: Primeiro tentei obter uma licença da Prefeitura , mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha para eleição do prefeito.

Precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquelas taxas de juros ...

O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário.

Começaram então os problemas com o IBAMA e a FEPAM para a extração da madeira. Eu disse que eram ordens SUAS, mas eles só queriam saber se eu tinha um "Projeto de Reflorestamento " e um tal de "Plano de Manejo ".

Neste meio tempo ELES descobriram também uns casais de animais guardados em meu quintal.. Além da pesada multa, o fiscal falou em "Prisão Inafiançável " e eu acabei tendo que sumir com o fiscal, porque, para este crime, a lei é mais branda. Quando resolvi começar a obra, na raça, apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha um Engenheiro Naval responsável pela construção.

Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano.

Veio em seguida a Receita Federal , falando em " sinais exteriores de riqueza " e também me multou.

Finalmente, quando a Secretaria Municipal do Meio Ambiente pediu o " Relatório de Impacto Ambiental " sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil. Aí, quiseram me internar num Hospital Psiquiátrico! Sorte que o INSS estava de greve...


Noé terminou o relato chorando, mas notou que o céu clareava e perguntou:

- Senhor, então não irás mais destruir o Brasil?

- Não! - respondeu a Voz entre as nuvens - Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde! O governo já se encarregou de fazer isso! "
Desculpem, mas não resisti, tive que postar.