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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Uma cortina na vista da Pedra da Gávea

Como eu já tinha comentado por aqui...a nova ponte da Barra tinha mesmo que gerar muita polêmica.


"O Globo, 12/2/2011

AUTORIDADES CRITICAM PONTE DO METRÔ NA BARRA

Superintendente do Iphan e subsecretário municipal de Patrimônio dizem que estrutura atrapalharia visão da Pedra da Gávea

Selma Schmidt"

"A decisão do governo estadual de incluir a construção de uma ponte estaiada (suspensa por cabos) no projeto da Linha 4 do metrô (que ligará a Barra da Tijuca à Zona Sul), como O GLOBO informou ontem, provocou a reação dos responsáveis pelos órgãos de patrimônio municipal e federal no Rio." (Eu sabia...) "O superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-RJ), Carlos Fernando Andrade, e o subsecretário municipal de Patrimônio Cultural, Washington Fajardo, alegam que a estrutura atrapalharia o visual da Pedra da Gávea, um bem federal tombado."(Eu concordo) "Carlos vai além: diz que o projeto teria que ser submetido ao Iphan e seria vetado." (Se fosse pra valer, com certeza!)

"— Essas pontes estaiadas foram construídas em diversos locais do mundo sem atributo visual, como Roterdã (Holanda) e São Paulo, para se tornarem um símbolo. Essas cidades não tinham identidades visuais fortes, como o Rio de Janeiro tem. Precisavam de elementos artificiais para criar essa identidade. Essa ponte estaiada, além de não trazer qualquer novidade em termos formais ou estruturais, está localizada em um local repleto de atributos paisagísticos. Não posso dizer que ela ofuscaria a Pedra da Gávea, que é um elemento muito mais forte que a ponte. Mas, na escala do pedestre e do passageiro, ela atrapalharia o visual. É como um cisco no olho: não nos deixa cegos, mas atrapalha a nossa visão — compara Carlos Fernando.(Na minha opinião, poluiria a paisagem mesmo sendo uma bela obra pois comparada às belezas naturais daquele lugar, perderia o seu valor, humilhada pela mãe natureza).


Apesar da urgência das decisões a serem tomadas para o planejamento da cidade, precisamos discutir muito mais os projetos que estão sendo criados de tamanhas proporções na paisagem da cidade. Sociedade e técnicos precisam levar em consideração todos os aspectos na hora de definir uma obra do porte de uma ponte ou de um estádio. Ou ainda de uma vila olímpica ou de uma cidade da música. O Rio é a nossa casa e temos capacidade técnica e cultural para levarmos uma decisão importante ao consenso comum. De forma racional e sem utopias.



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O que será do Sambódromo?


SAMBÓDROMO É DESTOMBADO: Visando possibilitar as intervenções para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, além da Parceria Publico Privada com a AMBEV para a construção de mais um bloco de arquibancadas, em troca da construção na área remanescente da Brahma de prédio de interesse daquela empresa, o Governo do Estado publicou ontem no Diário Oficial o Decreo nº 42.798, de 14/1/11, que “Dispõe sobre o destombamento do bem cultural denominado Passarela do Samba Professor Darcy Ribeiro – Sambódromo”.


Recebi esta notícia esta semana e percebi que eu não conhecia a palavra DESTOMBAMENTO. Nem eu e nem o dicionário. Vai ver que é porque não existe esta ação: "destombar" um patrimônio. É a mesma coisa que tomar de volta um presente ou retirar o valor de uma obra que antes você mesmo deu a ela. Seria como "desdizer" uma coisa. Pois parece que o governo acabou de inventa-la. Não estou dizendo que o que será feito lá vai ser ruim ou que vai lesar a nós, cariocas mas estou preocupada é com o ato em si e também com o precedente que isso pode estar abrindo. Pode ser que a nova obra fique muito melhor e agregue muito mais valor à cidade mas quanto isso vai custar às nossas instituições e a nós próprios que tão pouca segurança temos do que é pra valer ou não nesse país? Amanhã todos os que um dia se sentiram lesados em prol do bem comum vão requerer o destombamento desses bens e serão centenas de processos. Coitado do pessoal do IPHAN, não terão mais paz. Não sei se isso já aconteceu alguma vez. Eu nunca tinha ouvido falar. Revisão de valor histórico e cultural de um bem, pode ser mas destombar para modificar? Mesmo que haja a intensão de um novo tombamento...sei não.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A casa está de pernas para o ar!


A casa está de literalmente de pernas para o ar! Nunca esta expressão foi tão real. Infelizmente não é uma metáfora. As casas da Região Serrana do RJ estão mesmo de cabeça pra baixo. Aquelas que ainda existem, porque a maioria sumiu com a enxurrada da madrugada de segunda-feira.
Fora a discussão da tristeza da situação e das muitas vidas que se perderam, surge no ar as mesmas perguntas de sempre: De quem é a culpa? Dos governos ou de quem ocupou áreas de risco? Onde são realmente as áreas de risco numa situação dessas? Porque ninguém previu isso com tanta tecnologia disponível? Vamos ficar falando disso nas mesas de debate, nos programas de entrevistas por muito tempo ainda...e é muito provável que no próximo verão estejamos novamente na frente da TV sentindo por mais uma tragédia.

A questão é muito complexa porque a ocupação irregular é uma prática tão antiga quanto o início da formação das cidades, quando os homens não tinham como planejar porque também não tinham como imaginar o futuro. O ser humano vai ocupando o espaço disponível até quando alguém o impede seja pelo motivo que for: conflito de interesses particulares ou pela organização da sociedade em núcleos de convivência- vilas, cidades, lugarejos.

Na região serrana a ocupação irregular é recente na sua maioria. São pessoas mais carentes que assim como nas grandes cidades, buscam onde construir através da posse das terras de quem não reclamar. Outros têm a terra mas falta instrução, conhecimento, informação e até a fiscalização preventiva e orientadora ao invés de penalizadora. Ou seja, são pessoas simples, que por ignorância somada à falta de apoio, constroem em qualquer lugar, sem orientação e quando são fiscalizados, quando são, a obra já está pela metade ou pronta e é pra multar e não para orientar.

Tudo isso é muito utópico porque estamos falando de muita gente, uma população que cresce progressivamente pelas formas naturais e também pela migração das cidades vizinhas, principalmente o Rio de Janeiro, em busca de uma vida mais tranquila e longe da violência das cidades grandes. Os municípios não conseguem, ainda que quisessem, fazer esse trabalho preventivo. Vamos ser realistas: quando o município tenta tirar famílias de área de risco, quando ninguém morreu em rede nacional, o que todo mundo faz é ficar com pena e achar uma arbitrariedade. A mídia os trata como injustiçados e perseguidos. E quando morrem porque o município não fez nada, também. Tem que ter muita disposição política e força pra aturar a mídia na hora de remanejar famílias das áreas de risco.

A verdade é que as pessoas acham que não vai acontecer com elas. E também tem aquele ditado: " de médico e de construtor todo mundo tem um pouco" É, no meu ramo, a gente troca o "louco" por "construtor" porque é assim mesmo. Todo mundo acha que é só botar um ferrinho aqui e outro ali, usar uma laje pré-moldada, que a casa fica em pé. Se for na encosta, relax, coloca uma "pilastra" lá em baixo que está tudo certo...

O problema está como quase sempre, na pouca cultura da nossa gente, nas diversas carências de moradia, de transporte, de emprego, que nos faz viver na margem do risco com fé em Deus. Olhe pro lado e você vai ver gente vivendo na margem de algum risco. São contingências de um país grande, populoso e cheio de problemas que com certeza todos nós conhecemos. Vi na TV o caso daquele brasileiro que mora na Austrália que recebeu do governo o aviso de que a casa dele tinha grande risco de ser afetada por uma inundação prevista por carta! Isso mostra a confiança em todas as instituições envolvidas de uma forma que me matou de inveja. Nossa estrada pra chegar nisso é muito longa, talvez eu nem chegue a ver um Brasil assim mas vou fazendo a minha parte, torcendo para estar contribuindo pra esse Brasil do futuro.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Relax


Todo início de ano é a mesma coisa: uns viajando, outros de férias, alguns de licença e outros mais caras-de-pau fazendo "um curso". Em pleno verãozão de janeiro?
Mas o fato é que as coisas ficam mesmo muito devagar pra maioria dos segmentos e principalmente para os que envolvem justiça e órgãos públicos. Mas nem estou reclamando porque na Europa é muito pior. No mês de julho a maioria das coisas funcionam precariamente, quando funcionam. Já vi restaurante fechado para férias no mês das férias quando se imagina que o movimento e o ganho devem ser maiores!
Quando o assunto é análise de processos então, desista. Melhor ir pra praia também e deixar pra ir checar a carga depois do dia 15 de janeiro que é quando as famílias começam a se preparar para o ano letivo das crianças e precisam voltar para as rotinas e os pais, para suas atividades normais. Então é melhor não estressar, adiantar tudo que puder antes da distribuição de presentes e cartões de Boas Festas e deixar janeiro passar debaixo da palmeira curtindo o bermudão. Ou então aproveitar pra botar ordem no escritório e finalizar aqueles projetos que ficaram pra trás. Relaxe um pouquinho só e "carpe dien"! Feliz 2011!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Queremos isso?

Nós, cariocas, queremos esse tipo de solução?
O assunto FAVELAS ou COMUNIDADES já anuncia que o debate vai esquentar porque dificilmente duas pessoas concordam quando o assunto é este. Também não vou me estender falando delas pelo lado social que é com certeza mais relevante mas que não é minha praia. Prefiro falar como urbanista mas vendo a imagem acima, esqueço o lado o profissional e pergunto: Será que fazer arte com a cara da favela desse jeito melhora alguma coisa? Quando se olha de longe...talvez. Mas nós olhamos as favelas de perto, muito perto e esse colorido psicodélico não melhora nada porque fica igual a mulher muito feia com muita maquiagem.
Adoro as cidades coloridas. Mesmo o Rio, que já tem seu colorido natural e deslumbrante, fica lindo quando a gente inova e manda ver nas cores sem medo na arquitetura. Mas fazer arte na tela rasgada e manchada não dá. Vamos colorir mas vamos sanear e organizar o mínimo que a salubridade requer.
Amigos estrangeiros, adoramos a contribuição de vocês mas dessa vez...deixa com a gente.

sábado, 25 de setembro de 2010


Tenho postado pouco, bem menos do que gostaria mas não por falta de vontade e sim por falta de tempo. Clichê? Também acho mas o que está acontecendo nesse mercado do Rio de Janeiro? Iniciei minha carreira em plena crise da construção civil. Época em que a maior dificuldade do arquiteto e do engenheiro era conseguir um emprego formal. Hoje, sobram empregos nessa área mas a rotatividade dos profissionais está desgastante. Hoje o emprego vale pouco para muitos. A quantidade de oportunidades gera a falta de comprometimento afinal, se comprometer pra quê se eu posso sair no mês que vem? Aviso prévio, pelo lado do profissional virou apenas mais um encargo pra mesa de negociação e não uma questão de ética para com o próprio trabalho. Isso mesmo, a ética também deveria ser para com o trabalho que aquele profissional estava desenvolvendo.
Tarefas descontinuadas ficam muito mal resolvidas e ficam com jeito de tarefas mal feitas. Adoro trabalhar em equipe e adoro gerenciar pessoas. Gosto de ser o maestro e de ver as coisas acontecerem da forma como planejei mas quando vou pro front... é muito melhor. Os projetos ficam redondos e os processos ganham velocidade. E então vem a dúvida: Crescer e sobreviver ao vai-e-vem dos profissionais ou estancar, segurar as rédeas e ficar no eu (quase) sozinha?
Vou reler Karl Marx e Thomas More. Talvez eles me tragam a resposta.







sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Licença Ambiental para pequenas obras




Vivo levando sustos nessa profissão. O último foi com uma exigência de última hora, ou seja, eu estava quase tirando o DARM (guia para pagamento da taxa de aprovação do projeto) quando me exigiram (preste atenção...) "CERTIDÃO DE ISENÇÃO DE L.I.". Vou dar logo a minha interpretação da coisa: A analista não prestou atenção na DPE e durante os dois anos que o processo tramitou na SMU não exigiu nada com relação ao Meio Ambiente. Provavelmente porque tratava-se de uma obra de pequeno porte. No entanto, aos 45 min do 2º tempo, ela percebeu que o logradouro em questão carecia de obras de ampliação do sistema de captação de esgotos e por este motivo, deveria ser submetido à SMAC.
Para não admitir ter comido esta môsca, ela traduziu a necessidade de L.I. em um pedido de Certidão de Isenção da mesma. Se eu tivesse caído nessa teria aberto processo nesse sentido e teria perdido meses pra depois constatar que nada disso era preciso porque a obra pretendida estava dentro dos parâmetros de exclusão previstos no RESOLUÇÃO Nº450 de 19/08/08.
Ou seja, quando te exigirem documentos inesperados e pouco comuns, não saia correndo recolhendo documentos e desesperando-se com os prazos. Analise bem a exigência, pesquise muito e leve pra discussão em audiência. Implorar não tem funcionado, clamar pela obrigação que eles têm de exigir tudo de uma vez, também não. Melhor mesmo é de forma muito competente e muito bem informada argumentar a favor do seu projeto.