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sábado, 15 de janeiro de 2011

A casa está de pernas para o ar!


A casa está de literalmente de pernas para o ar! Nunca esta expressão foi tão real. Infelizmente não é uma metáfora. As casas da Região Serrana do RJ estão mesmo de cabeça pra baixo. Aquelas que ainda existem, porque a maioria sumiu com a enxurrada da madrugada de segunda-feira.
Fora a discussão da tristeza da situação e das muitas vidas que se perderam, surge no ar as mesmas perguntas de sempre: De quem é a culpa? Dos governos ou de quem ocupou áreas de risco? Onde são realmente as áreas de risco numa situação dessas? Porque ninguém previu isso com tanta tecnologia disponível? Vamos ficar falando disso nas mesas de debate, nos programas de entrevistas por muito tempo ainda...e é muito provável que no próximo verão estejamos novamente na frente da TV sentindo por mais uma tragédia.

A questão é muito complexa porque a ocupação irregular é uma prática tão antiga quanto o início da formação das cidades, quando os homens não tinham como planejar porque também não tinham como imaginar o futuro. O ser humano vai ocupando o espaço disponível até quando alguém o impede seja pelo motivo que for: conflito de interesses particulares ou pela organização da sociedade em núcleos de convivência- vilas, cidades, lugarejos.

Na região serrana a ocupação irregular é recente na sua maioria. São pessoas mais carentes que assim como nas grandes cidades, buscam onde construir através da posse das terras de quem não reclamar. Outros têm a terra mas falta instrução, conhecimento, informação e até a fiscalização preventiva e orientadora ao invés de penalizadora. Ou seja, são pessoas simples, que por ignorância somada à falta de apoio, constroem em qualquer lugar, sem orientação e quando são fiscalizados, quando são, a obra já está pela metade ou pronta e é pra multar e não para orientar.

Tudo isso é muito utópico porque estamos falando de muita gente, uma população que cresce progressivamente pelas formas naturais e também pela migração das cidades vizinhas, principalmente o Rio de Janeiro, em busca de uma vida mais tranquila e longe da violência das cidades grandes. Os municípios não conseguem, ainda que quisessem, fazer esse trabalho preventivo. Vamos ser realistas: quando o município tenta tirar famílias de área de risco, quando ninguém morreu em rede nacional, o que todo mundo faz é ficar com pena e achar uma arbitrariedade. A mídia os trata como injustiçados e perseguidos. E quando morrem porque o município não fez nada, também. Tem que ter muita disposição política e força pra aturar a mídia na hora de remanejar famílias das áreas de risco.

A verdade é que as pessoas acham que não vai acontecer com elas. E também tem aquele ditado: " de médico e de construtor todo mundo tem um pouco" É, no meu ramo, a gente troca o "louco" por "construtor" porque é assim mesmo. Todo mundo acha que é só botar um ferrinho aqui e outro ali, usar uma laje pré-moldada, que a casa fica em pé. Se for na encosta, relax, coloca uma "pilastra" lá em baixo que está tudo certo...

O problema está como quase sempre, na pouca cultura da nossa gente, nas diversas carências de moradia, de transporte, de emprego, que nos faz viver na margem do risco com fé em Deus. Olhe pro lado e você vai ver gente vivendo na margem de algum risco. São contingências de um país grande, populoso e cheio de problemas que com certeza todos nós conhecemos. Vi na TV o caso daquele brasileiro que mora na Austrália que recebeu do governo o aviso de que a casa dele tinha grande risco de ser afetada por uma inundação prevista por carta! Isso mostra a confiança em todas as instituições envolvidas de uma forma que me matou de inveja. Nossa estrada pra chegar nisso é muito longa, talvez eu nem chegue a ver um Brasil assim mas vou fazendo a minha parte, torcendo para estar contribuindo pra esse Brasil do futuro.

Um comentário:

  1. Pois é, Lena... eu tô com muita pena do povo da serra, mas com muita raiva - mais que a habitual - dos governantes e analistas com suas teses e verdades absolutas. Viu a cara do Cabral? Disse que viveu momentos de pânico enqto ia para Friburgo na manhã deste sábado. Na certa deu pânico de abandonar as férias em Paris e ter de dar as caras por aqui, isso sim.

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