
"O Globo, 12/2/2011
AUTORIDADES CRITICAM PONTE DO METRÔ NA BARRA
Superintendente do Iphan e subsecretário municipal de Patrimônio dizem que estrutura atrapalharia visão da Pedra da Gávea
Selma Schmidt"
"A decisão do governo estadual de incluir a construção de uma ponte estaiada (suspensa por cabos) no projeto da Linha 4 do metrô (que ligará a Barra da Tijuca à Zona Sul), como O GLOBO informou ontem, provocou a reação dos responsáveis pelos órgãos de patrimônio municipal e federal no Rio." (Eu sabia...) "O superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-RJ), Carlos Fernando Andrade, e o subsecretário municipal de Patrimônio Cultural, Washington Fajardo, alegam que a estrutura atrapalharia o visual da Pedra da Gávea, um bem federal tombado."(Eu concordo) "Carlos vai além: diz que o projeto teria que ser submetido ao Iphan e seria vetado." (Se fosse pra valer, com certeza!)
"— Essas pontes estaiadas foram construídas em diversos locais do mundo sem atributo visual, como Roterdã (Holanda) e São Paulo, para se tornarem um símbolo. Essas cidades não tinham identidades visuais fortes, como o Rio de Janeiro tem. Precisavam de elementos artificiais para criar essa identidade. Essa ponte estaiada, além de não trazer qualquer novidade em termos formais ou estruturais, está localizada em um local repleto de atributos paisagísticos. Não posso dizer que ela ofuscaria a Pedra da Gávea, que é um elemento muito mais forte que a ponte. Mas, na escala do pedestre e do passageiro, ela atrapalharia o visual. É como um cisco no olho: não nos deixa cegos, mas atrapalha a nossa visão — compara Carlos Fernando.(Na minha opinião, poluiria a paisagem mesmo sendo uma bela obra pois comparada às belezas naturais daquele lugar, perderia o seu valor, humilhada pela mãe natureza).
Apesar da urgência das decisões a serem tomadas para o planejamento da cidade, precisamos discutir muito mais os projetos que estão sendo criados de tamanhas proporções na paisagem da cidade. Sociedade e técnicos precisam levar em consideração todos os aspectos na hora de definir uma obra do porte de uma ponte ou de um estádio. Ou ainda de uma vila olímpica ou de uma cidade da música. O Rio é a nossa casa e temos capacidade técnica e cultural para levarmos uma decisão importante ao consenso comum. De forma racional e sem utopias.
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